Entrevistas

Ricardo Bucci – Uma Paixão Pelo Futebol de Botão

Ricardo Bucci

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Nossa conversa hoje é com o jornalista, botonista e colecionador Ricardo Bucci, que nos concede uma viagem ao universo do Futebol de Botão. Acompanhe!

Recentemente lançamos aqui no blog a História do Futebol de Botão, e a partir de então conhecemos muitas pessoas com uma paixão em comum: O Futebol de Botão, que no Brasil ainda pode ser chamado de Futmesa, entre tantos outros nomes, inclusive Futebol de Mesa, nome este oficial quando se trata do esporte.

Entre esses apaixonados está o personagem da nossa entrevista de hoje.

O Paulista Ricardo Bucci levou sua paixão a outro nível e consegue juntar, de forma única, sua profissão de jornalista e seu hobby de botonista e colecionador para criar um dos blogs mais bem documentados que o Futebol de Botão merece ter.

Futebol de botão - Cruzeiro (Sportec - 1980), NY Cosmos (Brianezi - 1970) e São Paulo (Gulliver - 1977)

Alguns dos 500 times da coleção: Cruzeiro (Sportec – 1980), NY Cosmos (Brianezi – 1970) e São Paulo (Gulliver – 1977)

Futebol de botão - Seleção Brasileira Tricampeã Mundial de 70 (Estrela - 1971)

Ricardo considera estes os botões mais fantásticos de todos os tempos na “versão carinhas”: Seleção Brasileira Tricampeã Mundial de 70 (Estrela – 1971)

Confira então, na íntegra, nosso bate-papo:

mini Ás: Conte um pouco sobre você, onde, e em que época você nasceu, e quando e porque surgiu a sua paixão pelos botões?

Ricardo: Tenho 40 anos. Sou brasileiro, paulistano e bisneto de napolitanos. Minha paixão pelos botões começou com apenas quatro anos de idade. Foi em meados de 1979. O motivo da admiração do esporte (até então, não era considerado esporte, só a partir de 29 de setembro de 1988 pelo antigo Conselho Nacional de Desportos – CND) foi bem simples: ficava fascinado em ver meu irmão (quatro anos mais velho) jogar na antiga mesa ‘Estrelão’, da fábrica Estrela. Ele também narrava os jogos e imitava o locutor esportivo de rádio José Silvério, o ‘Pai do Gol’. Vivíamos ainda uma época romântica do futebol. Estudei num colégio muito rigoroso nos estudos. Nos recreios o ‘papo’ entre as crianças era um só: Futebol. Sem dúvida, a paixão pelo futebol foi o estopim pelo gosto de jogar botão. Assim sendo, o futebol de botão se tornou uma extensão em ‘miniatura’ do futebol de campo.

Ricardo Bucci - Fotos históricas dos Anos 70 e 80

Ricardo Bucci – Fotos históricas dos Anos 70 e 80

mini Ás: Além de fã e colecionador, é praticante do Futebol de Botão? Como você enxerga o esporte?

Ricardo: Antes de ser colecionador, sou botonista. Sempre digo que é melhor jogar botão do que colecionar. Perto da Copa de 1982, que foi a melhor edição de mundiais de todos os tempos, fiz o meu primeiro torneio sozinho. O Internacional/RS da Gulliver que vinham com o rosto dos jogadores sagrou-se campeão. Guardo com carinho recordações de campeonatos dos anos 80, como anotações em cadernos antigos e um farto material de documentos. Criava as equipes com os escudos publicados na Revista Placar. A alquimia era grande. Queríamos todos os times do mundo. Depois veio um grande hiato sem praticar o esporte em decorrência dos estudos e a faculdade de jornalismo. Redescobri o futmesa só em meados de 2010, motivado por um problema de saúde. Não tenho a intenção de me filiar em algum clube para disputar campeonatos. Ainda sou do tempo em que o jogo era lúdico. Depois que virou esporte, perdeu sua essência. Hoje o futmesa é bem menos praticado. Muitas crianças nem sabem o que é um botão. A tecnologia eletrônica como computadores, celulares e games acabaram por destruir a brincadeira. Os clubes brasileiros tiveram também sua parcela de culpa, pois eles exigiam royalties na utilização dos escudos nos botões. Ficou impraticável para muitos fabricantes como a Estrela, Brianezi e outras. Atualmente, ele é mais jogado entre ‘marmanjos’ de 35/40 anos ou mais, tanto na forma profissional (os federados dos clubes) como na forma amadora, disputado em ‘garagens’.

mini Ás: Pessoas ligadas ao jornalismo esportivo gostam muito do esporte?

Ricardo: Sim. Tenho um amigo colecionador de botões, André do Nascimento Pereira, que é jornalista também e exímio pesquisador do futebol. Já conversei com o jornalista esportivo e gastronômico Sílvio Lancellotti, que, além de ter uma vasta coleção de botões, pratica o esporte com seu filho. José Trajano e o comentarista Paulo Vinícius Coelho (o PVC) são outros exemplos de jornalistas que adoram o esporte. O locutor José Silvério deve sua profissão ao futebol de botão. Na adolescência os amigos se divertiam enquanto ele fazia a narração dos jogos. Quem deu a ideia foi Itamar Mazzochi que trabalhava na Rádio Cultura, de Lavras/MG. Ele frequentava a mesa de botão e se divertia com suas narrações. E assim a carreira dele decolou. O nosso ídolo do basquete, Oscar Schmidt, tem carteirinha na Federação Paulista de Futebol de Mesa. No mundo artístico também temos praticantes: Chico Buarque de Holanda, Toquinho, Maurício de Souza e Osmar Prado. Não esqueçamos sempre do mestre Chico Anysio que nos deixou, assim como o saudoso narrador Luciano do Valle. Além do inesquecível Dr. Sócrates, que, aliás, ainda guardo com carinho seu autógrafo que ele me concedeu nas vésperas da Copa de 1982.

mini Ás: Qual o tamanho da sua coleção hoje? Onde e como você os armazena?

Ricardo: Acredito que estou beirando a marca de 500 jogos de botões originais feitos em fábricas antigas. Não ligo muito para estes números, pois é melhor você colecionar ‘qualidade’ do que ‘quantidade’. Não alimento o hobby para concorrer com ninguém. Existem alguns colecionadores de botões que adorariam entrar no ‘livro dos recordes’ para saber quem tem mais jogos. Dou ênfase aos exemplares que não são mais fabricados e que me lembram, de certa forma, a minha infância. Como sou saudosista, prefiro colecionar marcas antigas que foram feitas industrialmente. Armazeno toda a coleção numa cômoda com gavetas que possui um armário para a colocação das caixas. Em cada gaveta organizo os botões por torneios, isto é, os campeonatos brasileiros das séries A, B e C, Libertadores da América, Sul-Americana, Champions League e as centenas de seleções que disputam as Eliminatórias e a Copa do Mundo. O Mundial com 32 seleções jogo anualmente, pois não suportaria esperar quatro anos para realizá-lo. (risos). Divido as gavetas também com os meus ‘aguerridos’ botões com as famosas ‘carinhas’ dos jogadores, que foram fabricados nos anos 60 e 70.

Ricardo Bucci - No detalhe, gavetas repletas de times

No detalhe, gavetas repletas de times

mini Ás: Você se lembra qual foi o primeiro item de sua coleção? E em que condições você o encontrou e o adquiriu?

Ricardo: Os dois primeiros jogos que apareceram em minha casa foram o Corinthians e a Ponte Preta, ambos da marca Gulliver de 1977, da coleção intitulada ‘Grandes times do Futebol Brasileiro’, com o rosto colorido dos jogadores. Estes times foram comprados pelo meu pai para presentear o meu irmão que é corintiano fanático. A razão da escolha foi a decisão histórica do Paulistão daquele ano que envolveu estes clubes e tirou o ‘Timão’ do jejum de títulos de 23 anos. Não posso esquecer de registrar que devo muito ao meu saudoso avô paterno, Oswaldo Bucci, que assistiu ao vivo a final da Copa de 1950, no Maracanã. Ele vinha me buscar toda a semana para comprarmos juntos, numa banca de jornal, pacotinhos contendo três botões em ‘carinhas’ da Gulliver. Meu avô foi o precursor de toda esta história viva que mantenho até hoje. Depois meu pai comprou o primeiro exemplar dos botões tidos como ‘oficiais’, no estilo ‘tampa de relógio’, da lendária e saudosa fábrica Brianezi. Assim o Clube do Remo/PA desembarcou na coleção no final dos anos 70. Está comigo até hoje.

Ricardo Bucci - time Ponte Preta (Gulliver - 1977) - primeiro time da coleção

Time Ponte Preta (Gulliver – 1977) – primeiro time da coleção

mini Ás: De todos os itens da sua coleção qual o mais raro? E qual o seu preferido?

Ricardo: A palavra ‘raro’ segue algumas interpretações. No colecionismo ter alguma ‘raridade’ é você possuir uma peça em estado de conservação excelente, sem nenhum arranhão e preservada em sua embalagem original. Neste caso tenho diversos exemplos de jogos nas caixas. Cito o jogo mais bonito que é o Juventus da Mooca, da marca Brianezi, do começo de 1980. Os botões nas cores grená, idênticos da camisa do clube, estão ilesos e mantidos em seu estojo original com a palheta ‘colorida’ e com o antigo goleiro de ‘pedra’. Da marca Gulliver, um belo exemplar da Edição de Luxo de 1978. A caixa é bem grande. Nela preservo a seleção brasileira, com cor de ouro, da antiga CBD, que reinou no país até 1979, depois veio a se chamar CBF. Neste estojo continha as regras de como montar sua travinha e os números, em forma de adesivos, para a devida colocação nos botões. (…)

Futebol de botão - time Juventus da Mooca (Brianezi) e Seleção Brasileira (Gulliver edição luxo - 1978)

Time Juventus da Mooca (Brianezi) e Seleção Brasileira (Gulliver edição luxo – 1978)

(…) A palavra ‘raridade’ também é verificada nos times. Para qualquer colecionador de botões ou de camisas de futebol é mais prazeroso você ter times exóticos, não somente os grandes. Tenho times extintos do futebol como o Clube Atlético Ypiranga, da capital paulista, da marca Bolagol, de 1966. O interessante é que o tio de meu pai, Vicente, de apelido ‘Peixe’, foi jogador do ‘Vovô da Colina’ nos anos 30. Desta mesma marca tenho os extintos clubes mineiros como o Sete de Setembro/BH e o Athletic Club de São João del-Rei. Este ainda disputa torneios amadores em sua cidade. Possuo vários times alternativos que têm a simpatia de torcedores locais como o Calouros do Ar, o tricolor da Base Aérea de Fortaleza/CE. Seguramente é um dos times mais emblemáticos da Brianezi. (…)

Futebol de botão - time Athletic Club de São João del-Rei (Santa Marina) e Calouros do Ar (Brianezi)

Time Athletic Club de São João del-Rei (Santa Marina) e Calouros do Ar (Brianezi)

(…) Do ‘Velho Continente’ possuo times da Brianezi do Leste Europeu como a seleção da Albânia, o Spartak Trnava (ex-Tchecoslováquia), NK Zagreb (ex-Iugoslávia) e o siberiano Tomsk. Todos estes botões da Brianezi são de celulóide importado e os três últimos citados são maiores que os convencionais (5 cm). Pertenciam a uma Edição de Luxo, que a fábrica também classificava de ‘Seleção de Ouro’. Não posso esquecer do querido Avellino Calcio, do sul da ‘velha bota’, da marca antiga CRAK’S, do saudoso fabricante Guilherme Biscasse. Gosto de todos os times. É difícil você apontar o preferido.

Futebol de botão - Times Albania e Tomsk (Brianezi) e Avellino Calcio (Guilherme Biscasse)

Times Albania e Tomsk (Brianezi) e Avellino Calcio (Guilherme Biscasse)

mini Ás: Como se constitui sua coleção? São apenas times nacionais ou ela é mais abrangente? Qual é o seu melhor jogador?

Ricardo: No catálogo antigo dos times da Brianezi, os colecionadores encontravam times nacionais, internacionais e seleções. E foi assim que, desde pequeno, priorizo este processo. Coleciono todos os times do mundo e seleções, dando prioridade para os botões no estilo ‘tampa’, que são os melhores na mesa. Gosto também de colecionar botões de ‘carinhas’, feitos por fábricas antigas. A Gulliver foi a marca que vivenciei na época destes botões. Tenho times na caixa da Jofer, uma extinta fábrica de Guarulhos. Esta produziu times em ‘carinhas’ como os ‘Craks da Pelota’ de 1970-71. Tenho muitos outros botões de ‘carinhas’ originais de coleções diversas como ‘Onze de Ouro’, da Editora Saravan, de 1964-65, e ‘Ídolos do Futebol’ dos anos 60. Jamais podemos esquecer da Estrela com os famosos botões ‘canoinhas’ e ‘panelinhas’. E, claro, do ‘Rei Pelé’, quando ele jogava no Santos. (…)

Ricardo Bucci - Time da extinta Jofer e botões panelinha (Estrela)

Time da extinta Jofer e botões panelinha (Estrela)

Ricardo Bucci - Melhor jogador - Time Manchester United (Brianezi)

Melhor jogador – Time Manchester United (Brianezi)

(…) Mas o jogador em ‘carinha’ que é o meu ‘Pelé do Botão’ não é o Edson Arantes do Nascimento da Estrela e, sim, um botão da Gulliver original do Luizinho Lemos, quando este atuava no Inter/RS. Nos botões ‘oficiais’, o meu melhor jogador de todos os tempos é o número 9 do Manchester United da Brianezi, no modelo de celulóide ‘duas faixas’.

mini Ás: Qual é o seu jogo mais antigo?
Ricardo Bucci - Algumas das peças mais antigas da coleção

Algumas das peças mais antigas da coleção

Ricardo: Meus botões mais antigos são os primeiros que a fábrica Estrela lançou industrialmente no país. São de uma coleção de nome ‘Azes da Pelota’, de 1958. Estão na caixa original já um pouco desgastada pela ação do tempo. Os botões de plástico rígido têm uma abertura no meio, com uma tampinha transparente para proteger os escudos. Esta coleção antecedeu uma outra marca, a Bolagol, da fábrica Santa Marina, que depois nos anos 60 começou a produção de modelos quase que semelhantes da Estrela, só que com algumas variações e times diversos.

mini Ás: Para montar sua coleção você foi juntando durante os anos, ou você está sempre à procura de itens raros e antigos para ampliar sua coleção?

Ricardo: A coleção vem desde a infância. Exemplares antigos ainda permanecem comigo, quando meu pai comprou os ‘oficiais’ da Brianezi de 1970/80. Fiz algumas trocas com amiguinhos quando tinha apenas oito anos de idade e muitos botões de ‘carinhas’ se perderam. Há seis anos que voltei a colecionar e, de lá pra cá, aumentei em quantidade e, sobretudo, em qualidade de jogos antigos. Recuperei grande parte destes botões Gulliver de ‘carinhas’, vários em caixa, e continuo, com prudência, colecionando.

mini Ás: Existe algum time antigo que você está à procura há muito tempo e não conseguiu ainda? E quanto se paga por um item raro no mercado informal?

Ricardo: Não existe nenhum time que procuro exaustivamente. Vejo isto com naturalidade, pois senão perderia a graça de colecionar. Sendo antigo e com preço justo, analiso se vale a pena adquirir para a coleção. Para conseguir tais itens raros você tem duas opções: ou você paga o valor que os vendedores pedem ou ‘dribla’ este mercado nefasto, sem ética e procura sempre a honestidade. No começo de minha volta ao hobby não ligava para os preços. Só que agora a realidade para mim é outra. Temos que ter cautela. Existe gente honesta? Sim. Contudo, o mercado está recheado de ‘atravessadores’ que são, na verdade, cambistas que compram jogos antigos muito baratos que são doados e os revendem abusivamente. Eles fazem isto para mexer com o nosso sentimentalismo, especialmente em sites de compra. E só visam o lucro. Colocam os preços cada vez mais altos de cada exemplar antigo para ‘pegar’ algum desavisado ou desesperado. Sobre os preços de jogos raros, não existe valor de mercado. A Internet é longe de ser uma referência. Nunca será. Cada um pede o que achar. Como já paguei um valor absurdo (que não pago mais) em apenas um único exemplar da Brianezi, também já encontrei do mesmo modelo antigo e completo por oito reais. Por isto que eu sempre digo no meu blog, se alguém achar que vale mais de 50 $ cada jogo antigo, me provem. Quem inflacionou o mercado? Os próprios colecionadores. Pois há vários que revendem peças repetidas na Internet por valores totalmente fora de cogitação, até superiores os que pedem vendedores de brinquedos antigos que pagam imposto em loja física. Isso, de certa forma, fez alimentar cada vez mais este mercado ‘negro’ do colecionismo de botões. Infelizmente.

mini Ás: Além de colecionador, você escreve sobre Futebol de Botão no blog “Botões Para Sempre”, conte um pouco sobre este projeto.

Ricardo: O site é um prolongamento da paixão pelo futebol de botão. Resolvi criá-lo para ser um veículo de informação da história do Futebol de Botão no Brasil. Percebi que muitos blogs tinham sempre a mesma temática: artes e escudos de clubes. A ideia de ‘Botões Para Sempre’ é registrar todas as possíveis marcas de botões que existiram no país. Já recebi mensagens de ex-fabricantes que lembram de um passado nostálgico, faço entrevistas com colecionadores e busco sempre informação. Mostro reportagens e publico notícias. O blog não nasceu para ser apenas um registro fotográfico de botão. Ele virou uma espécie de Enciclopédia do Futmesa. A veia jornalística que carrego em minha profissão, sempre em busca da verdade dos fatos, é verificada em ‘Botões Para Sempre’. O blog não deixa de registrar também fatos e lembranças do Futebol Retrô. Escrevo artigos sobre Copas do Mundo que é a parte que mais admiro no futebol. E sempre quando adquiro um time de botão conto a história do clube, seus ídolos, a evolução dos seus escudos, enfim, futebol antigo e botões se casam perfeitamente.

mini Ás: Quantos acessos diários o seu blog tem hoje?

Ricardo: Depende muito da postagem. Basicamente de 1.000 a 2.000 acessos/dia. O Brasil é o país recordista de visitantes, seguido de algumas nações que praticam a modalidade sectorball, que é uma vertente do Futmesa no Leste Europeu que são Hungria, República Tcheca, Sérvia, Romênia e Eslováquia. Criado em novembro de 2010, o blog já ultrapassou a marca expressiva de 1 milhão de acessos.

mini Ás: Você mantém a sua coleção em exposição em seu blog, mas no futuro sua intenção é ter um museu? Como enxerga sua coleção no futuro?

Ricardo: Sim, todos os times de minha coleção estão expostos no blog. Lá, temos também um marcador de nome ‘Coleção do Leitor’, onde colecionadores podem me enviar fotos de seus botões. Eu publico e dou crédito de quem pertence. Acho isto justíssimo, pois há outros sites que não fazem isso e não citam a fonte. Fora que há colecionadores egoístas que não gostam de dividir o prazer de colecionar e sequer mostram uma imagem de botão. ‘Botões Para Sempre’ foi pioneiro na Internet na publicação de cartelas que foram digitalizadas originalmente de coleções de botões de ‘carinhas’. O colecionador pode encontrar toda a coleção da Gulliver para imprimir, recortar e colar nos botões, bem como boa parte dos times da Estrela no modelo ‘panelinha’ e a coleção ‘Onze de Ouro’, dos anos 60. Quando coloquei no ar estas cartelas, recebi críticas de alguns colecionadores que diziam que todos iriam copiar as ‘carinhas’. Mas a ideia foi justamente esta. Dividir com todos o material que possuímos. Por enquanto o museu virtual já é um sonho realizado. Quem sabe, futuramente, o projeto de Internet poderá se transformar num livro.

Ricardo Bucci - Algumas cartelas escaneadas (pioneirismo do blog)

Algumas das muitas cartelas escaneadas (pioneirismo do blog)

mini Ás: Certamente que você não venderia a sua coleção por qualquer valor que fosse. Mas em caso de venda, conseguiria estimar um valor monetário de sua coleção atual?

Ricardo: Se eu fosse me desfazer de todos os jogos, os vendedores de brinquedos antigos ou até mesmo colecionadores de botões que compram e revendem o que não querem, iriam pagar um valor que rotineiramente eles pagam, ou seja, muito baixo. Melhor dizendo: miséria. Depois entrando na mão destes ‘aproveitadores’, a minha coleção mudaria da ‘água pro vinho’. Eles iam rir pelo valor que pagaram e o preço total para venda seria algo sobrenatural. Ou venderiam cada exemplar com preço inflacionado como eles normalmente gostam de fazer na Internet. Não vou estimar quanto vale nenhum jogo de minha coleção, justamente pelo simples fato de não concordar e de repudiar com veemência tais preços estratosféricos que ‘pipocam’ no mundo virtual. Tenho uma premissa que carrego comigo desde quando voltei a colecionar: não vendo nenhum item. Se possuir time em duplicata, poderei trocá-lo por outro que não tenha. E penso sempre em doar jogos repetidos para uma pessoa especial que já está anotada no meu caderno e que foi a responsável por me enviar a cartela original dos times em ‘carinhas’ para a publicação no blog. Neste caso só estou esperando a oportunidade de isto acontecer quando entrar times certos para esta doação. São pessoas que assim como eu, não seguem o pensamento mercenário em que vivemos. Não esqueço de quem me estende a mão. E neste meio complicado que é o colecionismo, nem sempre podemos contar com a ajuda de pessoas. Esta é a grande realidade.

mini Ás: Deixe seus contatos para que as pessoas possam entrar em contato com você.

Blog ‘Botões Para Sempre’ (botoesparasempre.blogspot.com.br);
e-mail: bucci.rtb@bol.com.br

Bem, o nosso bate-papo chegou ao fim e só podemos agradecer ao Ricardo pela entrevista e desejar que continue com o belo trabalho. Desejamos também que o projeto do livro torne-se uma realidade para que alcance mais e mais pessoas que se identificam com o universo do futebol de botão.

Agora é com você, não esqueça de comentar e compartilhar esta entrevista nas redes sociais, valorizando brasileiros que fazem a diferença.

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4 Comentários

  1. José Nogueira

    Obrigado pela a oportunidade que nos concede de poder expressar o agradecimento ao jornalista Ricardo Bucci pelo excelente blog botõesparasempre que nos vem proporcionar grande ajuda para as nossas pesquisas, facilitando a nossa paixão pelo o futebol de mesa.

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    • Equipe mini Ás

      Obrigado pelas palavras José!
      Abraço!

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  2. Welyton

    Meus Parabéns Ricardo ! E obrigado por ter em atividade este site ! Assim como vc tenho como paixão meus botões , nunca parei para refletir a quantidade e modelos ! Se tampa de relógio, Canindé , Gulliver, ou demais e sempre jogando horas só ou com meu irmão ! Isso já desde os anos de 1988 ! . Tenho acompanhado desde meados deste ano quê se encerra este site ! Quê é sensacional ! Tenho alguns times que gostaria de mandar umas fotos para quê me confirmasse se são Brianezi ??? ! Abraço .

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    • Equipe mini Ás

      Obrigado Welynton pelas palavras. O Ricardo mantém o seu próprio blog onde fala de botões, você pode encoontrar o link na entrevista. Nós aqui apenas o entrevistamos, mas ficamos muito felizes com sua audiência.
      Grande abraço!

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